Num futebol português altamente competitivo, com rivais fortes e ambientes hostis, o Benfica construiu uma época que merece ser recordada com rigor e justiça histórica.
A mudança no comando: chega Sven-Göran Eriksson
Depois de Lajos Baróti não conseguir defender os títulos conquistados na época anterior, a direção do Benfica apostou num nome forte do futebol europeu: Sven-Göran Eriksson, então com apenas 33 anos e recém-campeão da Taça UEFA.
Antes de Eriksson, o Benfica tentou contratar John Bond, mas sem sucesso. O técnico sueco chegou com uma ideia clara: reduzir drasticamente o plantel, que se aproximava dos 40 jogadores. Mais de dez atletas deixaram o clube, e a única “contratação” foi o regresso de Diamantino Miranda.
A pré-época incluiu um jogo de apresentação frente ao Ferencvárosi TC e a participação no Torneio de Toronto, sinais de um Benfica cada vez mais virado para o plano internacional.
Um arranque de campeonato avassalador
O Benfica iniciou o campeonato de forma absolutamente impressionante: 11 vitórias consecutivas nas primeiras 11 jornadas.
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27 golos marcados
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Apenas 4 sofridos
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Vantagem de cinco pontos sobre o segundo classificado
Durante este período, Manuel Bento esteve 565 minutos sem sofrer golos, entre a 4.ª e a 8.ª jornada, demonstrando a enorme solidez defensiva da equipa.
O primeiro deslize surgiu apenas em dezembro, com um empate em Alcobaça. A primeira derrota chegou a 2 de janeiro, no dérbi com o Sporting, mas o Benfica terminou a primeira volta ainda com quatro pontos de vantagem sobre os rivais.
Irregularidade controlada… e liderança mantida
A segunda metade do campeonato foi menos exuberante. O Benfica acumulou vários empates — incluindo jogos no Bessa e novas igualdades consecutivas — mas beneficiou do facto de os rivais diretos também perderem pontos.
No clássico das Antas, já no final de março, o Benfica empatou 0–0 com o Porto, mantendo intacta a liderança e a vantagem pontual.
Uma caminhada europeia histórica
Na Taça UEFA, o Benfica realizou uma das melhores campanhas europeias da sua história.
Eliminatórias vencidas:
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Real Betis
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KSC Lokeren
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FC Zürich
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AS Roma
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Universitatea Craiova
Nos quartos-de-final, o Benfica eliminou a poderosa Roma de Falcão, vencendo 2–1 no Estádio Olímpico e empatando 1–1 na Luz. Filipović marcou todos os golos do Benfica nessa eliminatória.
Nas meias-finais, frente ao Universitatea Craiova, o apuramento chegou pela regra dos golos fora, levando o Benfica à final europeia.
A final da Taça UEFA: tão perto da glória
A final colocou o Benfica frente ao RSC Anderlecht.
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1.ª mão: derrota por 1–0 no Estádio Heysel
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2.ª mão: empate 1–1 no Estádio da Luz
O Benfica até marcou primeiro, por Shéu, mas sofreu o empate pouco depois, resultado que acabou por ditar a perda do troféu.
Eriksson reconheceu que a equipa se precipitou após o golo, enquanto Humberto Coelho assumiu que houve um erro fatal ao permitir o contra-ataque belga. A frustração foi geral — e compreensível.
O título nacional e o desfecho da época
Quatro dias após a final europeia, o Benfica venceu o Portimonense por 1–0, com um golo decisivo de Carlos Manuel aos 85 minutos. Essa vitória garantiu o 25.º Campeonato Nacional do clube, após um ano sem conquistar o título.
O Benfica terminou o campeonato com quatro pontos de vantagem sobre o Porto, vencendo os dois últimos jogos da prova.
A época deveria encerrar com a final da Taça de Portugal, inicialmente marcada para Coimbra. No entanto, uma disputa legal levou ao adiamento do jogo, que acabou por ser disputado apenas em agosto de 1983, no Estádio das Antas — com nova vitória do Benfica por 1–0.
Uma época que ficou para a história
A temporada 1982/83 foi muito mais do que números:
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Um campeonato conquistado com autoridade
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Uma final europeia histórica
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Um Benfica moderno, disciplinado e competitivo
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O início de uma era marcante com Sven-Göran Eriksson
Foi uma época que provou que o Benfica não era apenas grande em Portugal — era, novamente, uma potência europeia.
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