Há vitórias que não entram nas estatísticas. Não contam como títulos, não aparecem em museus nem são celebradas em efemérides oficiais. Mas há vitórias que definem para sempre a identidade de um clube. Em 1949, longe dos relvados de Portugal, o Sport Lisboa e Benfica protagonizou um dos episódios mais marcantes da sua história — um ato de coragem, dignidade e humanidade perante o racismo.
No verão de 1949, o Benfica realizou uma digressão à Madeira, na comitiva encarnada seguiam dois jogadores negros, Guilherme Espírito Santo e Alfredo Melão.
À chegada ao Funchal, o Benfica fez o check-in no hotel previamente reservado. Foi então que surgiu o choque: dois jogadores negros do plantel não podiam pernoitar naquele hotel. A razão apresentada foi simples, crua e chocante — “Neste hotel, não podem entrar pretos. Menos ainda dormir. Esses dois senhores terão de ficar no anexo, onde dormem os criados.”

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